E chegou o dia 10 de março!
Cada ano que passa, ao invés de eu me acostumar com esta data que, diferentemente do dia 29 de fevereiro, haverá em todos os anos, sem exceção, ela tem sido cada vez mais difícil, sofrida, frustradas com sabor de sonhos não-realizados, o amargo gosto de derrota e ainda acompanhada de um ou outro fio de cabelo branco.
Por esta razão, há alguns anos, decidi não mais organizar nenhum tipo de comemoração para o meu aniversário, pois eu penso que não há nada a ser comemorado.
Afinal, por que comemorar o dia em que estou ficando mais velha?
Seria mais interessante comemorar se eu tivesse ficando mais nova. Bem que Papai do Céu podia me dar isso de presente, né? Imagina! Acordar um dia e descobrir que, como num passe de mágica, acrescentaram-se uns 2-3 anos na sua data de nascimento! Oh, que maravilha!
E em falar em maravilha, imaginem como seria bom se comemorássemos nossos “desaniversários”! Teríamos mais motivos para comemorar, sem precisar lembrar que estamos ficando mais velhos.
Todavia, não adianta se iludir, não vivemos no País das Maravilhas! Apesar disso, podemos dizer que a maioria dos nossos amigos e familiares são comportam-se como Coelho Branco de Lewis Carrol – vivem atarefados, olhando pro relógio, correndo pra lá e pra cá sem olhar as maravilhas ao seu redor. Mas... É só falar a palavra “aniversário” que o mundo pára. É como se os compromissos urgentes deixassem de ser urgentes, como se o sono ficasse para depois ou como se os ponteiros do relógio passassem a rodar no sentido anti-horário.

Esta semana liguei pra um amigo e chamei-o para jantar. Porém, ele disse-me que não podia, porque iria trabalhar até tarde. Contudo, em seguida, recebi uma mensagem deste mesmo amigo: “você está querendo comemorar seu aniversário antes?”. Esqueci de mencionar, este convite para jantar foi feito na véspera do meu aniversário e eu, de fato, estava um pouco abalada em pensar que em poucas horas eu teria que omitir mais 1 ano em minha idade (pois agora só digo que tenho 25, no máximo, 26! Promessa de ano novo!).
Enfim, questionei-o se havia diferença ser ou não comemoração do meu aniversário na aceitação do convite. E, como esperado, o mesmo respondeu que sim, marcando um jantar para o dia 11/03 (no caso, hoje, depois eu digo se rolou, kkkkkkkkkk!).
Na realidade, tentei comemorar meu aniversario sim! Procurei alguns amigos no último fim de semana, mas não consegui marcar nada. Obviamente, em nenhum momento disse a palavra “aniversário” – e isso mudaria tudo, eu sabia. Mas eu queria que as pessoas saíssem comigo pelo prazer de minha companhia e não por uma convenção social de comemoração de aniversários.
A data do meu aniversário não está no Orkut. A omissão é proposital, para se esquivar de eventuais comemorações. Pago um preço alto pela omissão, acabo sem falar com pessoas queridas. Este ano achei que seria o mais difícil de todos, achei que muita gente que gosto iria esquecer-se desta ingrata data, não por não se importar comigo, mas por esquecer da data, afinal: se memória fosse vendida na feira, muita gente ia ficar sem carne no almoço!
Ainda bem que estava enganada. Sim, muita gente se esqueceu, claro! Mas muitos lembraram. Foram muitos telefonemas, e-mails, mensagens de texto, scraps, conversas on-line. Além disso, muito mais que pela quantidade, fiquei feliz pela qualidade, foram poucas as ligações de menos de 5 minutos, mesmo no caso dos interurbanos.
Assim, quase que num passe de mágica, todas essas coisas me fizeram perceber que se nem tudo são flores, também nem tudo são espinhos. Vivo uma vida que nunca sonhei, mas esse não deve ser o pior pesadelo!