quarta-feira, 3 de março de 2010

Você o apagaria?




Lembram-se da história de Joel e Clementine?
Basicamente, para aqueles que não assistiram ao filme, é a história de um casal de namorados que, após o rompimento do namoro, decidem deletar todas as memórias e lembranças (boas e ruins) que possuem um do outro. Na ficção do filme isto é possível, numa empresa chamada Lacuna Inc. (essa informação, obvio, captei com meu amigo Google).
Este filme sempre me deixou muito pensativa, imaginando como seria estranho passar por uma pessoa que tanto te fez sorrir e chorar, como se nunca a tivesse visto na vida. Pergunto-me se eu olharia pra ela, se ela, mais uma vez, chamaria a minha atenção, se seria capaz de me apaixonar de novo e se seria (ou não) tudo do mesmo jeito.
Mas, considerando que a empresa Lacuna Inc. não existe! Joel e Clementine também não! Resta-nos apenas a dura realidade de que pessoas marcantes não são facilmente esquecidas. Entretanto, há alguns artifícios que estão em nossas mãos e que podem, ou não, acelerar este processo que, por diversas vezes, é bastante longo!
A primeira delas é relativa ao contato. O contato pessoal, nem comento, pois é, na maioria dos casos, um veneno mortal. Contudo, tenho que concordar que é até recomendável em doses bem pequenas e homeotáticas – funcionando como uma vacina. Refiro-me ao contato virtual, ou seja, aos nossos eternos companheiros que estão conosco onde quer que estejamos: MSN, Orkut, Facebook, Twitter, Google Talk, dentre outros. Uso letra maiúscula porque eles estão tão presentes em minha vida que são verdadeiros amigos,ganhando, para mim, a categoria de nome próprio. Eles me mostram fotos de festas onde eu estive e onde eu não estive, mostram-me quem está triste, quem está feliz, quem está gordo, quem está magro, quem está grávida, quem solteiro, quem está casado, quem vai casar, etc. No caso do meu amigo Twitter... (rs)! Ah, esse ai diz quem está trabalhando, quem está enrolando, quem está de folga, quem chegou atrasado, quem vai sair mais cedo, quem está de ressaca.. Com direito a fotos, links, vídeos e tudo o mais que a tecnologia tem para nos oferecer. É como se fosse criança e estivesse novamente brincando de detetive!
Por tudo isso, eu tenho uma certa resistência em deletar pessoas adicionadas a estes meios de comunicação. Para remover uma pessoa do meu grupo de amigos virtuais os meus critérios são os seguintes: pouco contato, pouca afinidade e abuso - não necessariamente nesta ordem.
Por estas razões também, apagar uma pessoa que já me apaixonei da minha lista de contatos é algo difícil de aceitar. Principalmente quando o contato pessoal dificilmente ocorrerá, nem mesmo por acaso.
Difícil explicar, mas, para mim, é o mesmo que suprimir a vida daquela pessoa de minha vida e como se a minha vida, durante aqueles meses ou anos passados ao lado daquela pessoa simplesmente não existissem. Como se eu tivesse estado no limbo durante momentos que eu eu julgava estar próxima ao paraíso...

Hoje, sinto-me muito mais atraída pela máquina do tempo do filme “De volta pro futuro” do que pelos serviços da empresa Lacuna Inc. do filme “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembrança”. Gostaria que voltasse o tempo, não por uma questão apenas de arrependimento, mas para que aquele tempo pudesse ser gasto em algo mais produtivo ou até para diminuir um pouco a nossa idade, por que não??? (rs)

Por outro lado, se uma certa pessoa nos fez tanto mal, mostrando-se por A+B que não merece nossa atenção, por que queremos tanto saber da vida dela?

Seria saudade ou mera curiosidade?

Há uma frase de Miguel Falabela - segundo o Google (ele é meu amigo, mas erra, às vezes) que diz assim: “Saudade é não querer saber se ele está com outra, e ao mesmo tempo querer.”

E você? Você o apagaria?

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