quinta-feira, 17 de junho de 2010

E por falar em saudade




Hoje eu vou falar em saudade!
Mas, não é saudade de um amigo - que mora longe ou de um amor que foi embora...
Quero falar da saudade que terei da minha atual residência.
Sim, podem me chamar de materialista, é eu acho que sou sim.

Entretanto, diria que, no caso, não se trata mais de materialismo, mas de companheirismo.

Eu nem sempre estou perto das pessoas que quero, tenho família e amigos espalhados por todo Brasil. Muitas vezes, quis estar num casamento ou numa formatura que não pude ir, deixei de lado tantas prévias de carnaval, São João de matuto mesmo (e não de caipira), aniversários de primos que agora nem são mais crianças.

A saudade, às vezes, incomoda! Mas, outras vezes, mostra-se como uma velha amiga, que se senta ao seu lado, sem cerimônia, pra assistir novela. E essa saudade te faz mandar um sms pra uma pessoa que confirma também ter pensado em você na hora do novela!

Sim, não sou só materialista, também sou noveleira! Pode incluir na lista!

Nem vou falar da saudade relacionada ao amor... Ah, o amor! O amor é uma flor roxa, que nasce no coração de quem é trouxa! Não sei quem disse essa frase, mas eu tiro o meu gorro para essa pessoa (já que eu não uso chapéu).

Solidão e saudade... Essas são as 2 figurinhas carimbadas que adoram se sentar comigo no sofá para ver novelas, seriados, filmes novos e repetidos, etc.
Amigas, companheiras, pro que der e vier, "brother" de anos... (Ou ainda, 'manos' pra os corinthianos).

Masss, como eu disse no início do texto, a saudade que bateu com força hoje foi a saudade de minha atual residência.

Cada dia que passa, é um dia a menos no meu adorável apartamento em Moema.
Ele foi meu refúgio nesses últimos 4 anos.
É certo que, por boa parte desses 4 anos, eu não 'curtia' muito ficar em casa, eu era daquelas pessoas que morava na rua e passeava em casa.

Mas, eu sabia que ele ali estava, que eu teria onde ficar jogada no sofá em meus domingos de ressaca, ou naquelas tarde contemplativas de sábado, ou nos dias de chuva, ou nos dias de frio, ou nos dia de sol, ou nos últimos capítulos da novela...

É, eu acho que eu não tinha só duas amigas, sempre comigo - a solidão e a saudade!
Eu também tinha o apartamento 61 do Maison George V. Como eu fui injusta com ele todos esses anos?!

Sim, sei que deixá-lo não é o fim do mundo. Ainda terei onde morar... (Para os pragmáticos, é só isso que importa, né?!)
Contudo, não sou assim, e não tenho vergonha de dizer que tudo isso deixará muitas saudades - meu apartamento cheio de banheiros - meu querido iglu!

Como eu queria ter dinheiro pra comprar ele pra mim!
Pronto, mais um defeito pra minha lista, estão anotando?
A verdade é que dinheiro resolve tanta coisa que eu tenho uma tendência muito grande de gostar muito dele! (Desculpa aos que se ofendem com esse discurso por razões éticas, morais ou religiosas...)

Costumo dizer que quem diz que o dinheiro não compra felicidade é porque não sabe o endereço da loja!
Ok, acho que depois dessa frase, ninguém mais vai ler mais esse texto além de mim.
Ouuu talvez nem eu o leia novamente, pois certamente irei chorar.
Sentimentos, para mim, são compreensíveis e até explicáveis... Mas é difícil expressar, de modo que outra pessoa sinta o que você está sentindo (ai é mais uma questão de retórica, arte da argumentação - ossos do ofício, mas não estou trabalhando).

Fiz esse post em homenagem a meu quarto, ao quarto de visita, ao sofá da sala, à mesa de centro, à tv, à net, ao fogão que só servia pra fazer brigadeiro e todas aquelas coisas que aqui me cercam e me dão a sensação que estou em casa e que está tudo bem.

Espero que meu materialismo não tenha ofendido meu amigos tão queridos que moram no meu coração sem pagar aluguel. Todavia, como eu disse, esse post foi dedicado a um outro tipo de amigo, um amigo que também morará no meu coração sem pagar aluguel. Mas, se eu quiser morar nele... Ah, ai eu vou ter que pagar aluguel!!!

4 comentários:

  1. Sentir falta de coisas e lugares também faz parte do meu repertório, mas sempre que o novo vem, o receio passa, e novas afinidades de revelam... Sua casa é, em última instância, você mesma. Sinta-se bem nela! ;)

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  2. pra quem escreve, às vezes o texto funciona como remédio. uma vez deixei esse remédio pra Panorâmica aí em cima, hoje deixo pra vc.

    por ora, paciência, logo fará amizades com novas paredes ou voltará aos contatos com paredes que conhece bem, porque no fim das contas não é onde a gente está, mas como.

    bjoca =)

    ---

    E quando ali retornarmos
    Verás que nunca nos fomos
    Pois o lugar onde estamos
    O lugar onde estaremos
    É sempre o lugar que somos.

    (Ana Miranda, "A geografia pessoal".
    São Paulo: Revista Caros Amigos, Fevereiro de 2007)

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  3. Obrigada pelo comentário no texto do filme O Leitor, fiz para um trabalho da Faculdade, mas fiquei dias pensando na história.

    Parabéns por seus textos, os assuntos são ótimos.

    Grande abraço.

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  4. é dona da budega, a saudade é um bicho danado...! inclusive outro dia li um conceito muito bacana de saudade(de clarice lispector) que diz assim:

    Saudade é um pouco como fome. Só passa quando se come a presença. Mas às vezes a saudade é tão profunda que a presença é pouco: quer-se absorver a outra pessoa toda. Essa vontade de um ser o outro para uma unificação inteira é um dos sentimentos mais urgentes que se tem na vida.

    é isso. saudades de tu tb!!

    ps.: vou te add lá no blog!

    bjos!!

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